“O homem que julga infalível a sua razão está bem perto do erro. Mesmo aqueles, cujas ideias são as mais falsas, se apóiam na sua própria razão e é por isso que rejeitam tudo o que lhes parece impossível.” Fonte: O Livro dos Espíritos, introdução VII.

Espiritismo em Foco

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mensagens recebidas!

Caros amigos, continuamos registrando muitas mensagens de incentivo e apoio ao nosso trabalho. Resta-nos agradecer a todos.

RECICLAR deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Com ânimo para recomeçar!":
AMIGO, PARABÉNS PELO NOVO BLOG! ESTAREMOS APOIANDO
E INCENTIVANDO PARA QUE A VERDADE TRIUNFE. ESTAREMOS ACOMPANHADO VOCÊ, SUAS NOTÍCIAS E A MENSAGEM DA BOA NOVA.SIGAMOS JUNTOS E UNIDOS PELA DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA.
UM GRANDE ABRAÇO FRATERNO.
ADRIANE

Parabéns Francisco.
Bola pra frente, sem esmorecimentos.
Baseado no editorial do teu blog, acabo de escrever elgumas considerações sobre a pretensa Propaganda Antio-Espírita, que aí vai.
Um grande abraço.
Pedro Fagundes Azevedo

Francisco Rebouças

SEMEADOR DE LUZ


Esparzem os raios de luz que. espoucam na tua alma, junto ao solo dos corações, enquanto medram soberanas sombras e imprecações.

Malgrado estejam feridas tuas mãos pelo caja­do das lutas quotidianas, não seja isto empecilho para o mister da sementeira. Pelo contrário, per­mite que as gôtas de suor da face cansada e as bagas sanguinolentas, caindo na terra das almas se transformem na umidade generosa que desenvolve o embrião a dormir no casulo do amor latente em todos.

Embora os pés assinalados pela presença dos espinhos e da urze, avança na direção do Infinito, alargando a vereda que se estreita à frente para que os da retaguarda possam avançar também.

Não fales de cansaço nem arroles decepção. Aquêles que entesouram o amor podem desdobrar em milhares as moedas da coragem, para continua­rem ricos de entusiasmo.

Multiplicam os haveres na razão em que os doam e quanto mais distribuem mais possuem, conseguindo o milagre da felicidade onde se encontram.

Passam muitas vêzes combatidos pela indolência de uns e perseguidos pela rebeldia de outros, mas não se detêm.

Utilizando o tempo com propriedade, por re­conhecerem que a hora da semeação passa breve e é necessário aproveitar o momento azado, não se rebelam, nem recalcitram, insistindo e perseverando com otimismo.

Semeador da luz: não temas a treva nem a discórdia, a precipitação ou a preguiça.

Muitos se dizem cansados no campo; outros se afirmam desiludidos; vários desejam renovar emo­ções caracterizando-se por inusitada saturação; al­guns simplesmente desertaram, e onde medravam as primeiras plântulas a erva daninha triunfa e a desolação governa... Prossegue tu, porém, insisten­temente, mesmo que te suponhas abandonado, a sós

Há aquêles que semeiam animosidades e depa­ram idiossincrasias.

Abundam os que espalham a ira e defrontam resíduos de ódios onde chegam.

Na alfândega da vida muitos apresentam dis­farçadas as sementes da maledicência e da infâmia esperando liberação.

O imposto da impertinência, porém, cobra taxas pesadas àqueles que se fazem fiscais em nome da impiedade.

Por isso, na gleba imensa dos homens surgem e ressurgem tantos afligentes e afligidos disputando espaço na ribalta da ilusão fisiológica. Passam dis­farçados, enganadores ou enganados, na busca do desencanto. São, também, semeadores do desconcêr­to que defrontarão adiante...

Mesmo os cardos se enflorescem, algumas vê­zes, e as pedras refulgem quando lapidadas.
Semeia, pois, a luz da esperança, ainda e sem­pre, desde que se te depare oportunidade feliz.

Um dia, um Homem Sublime abandonou por um pouco um jardim de estrêlas para depositar nas criaturas da Terra gemas de refulgente esperança em torno do Seu Reino.

Ímpios e caídos, hipócritas e pecadores, nobres e plebeus, gentes simples e prepotentes receberam Sua dádiva e fizeram que mergulhassem na terra das suas vidas os raios da Sua luz, transformando-se em sóis de bênçãos que, desde então, clareiam os destinos da Terra. E ele mesmo, quando foi desde­nhado numa cruz, fulgurou numa excelente madru­gada, continuando a semear a luz da imortalidade na mente e no coração dos que jaziam na sombra da saudade e do medo.

“Pondo-vos a caminho, pregai que está pró­ximo o Reino dos Céus”. Mateus: capítulo 10º, versículo 7.

“As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se lhes associam. Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concêrto. Tomai da lira, fazei uníssonas vossas vozes e que, num hino sagrado, elas se estendam e re­percutam de um extremo a outro do Universo”.
Prefácio, parágrafo 3.

Livro: Florações Evangélicas
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis

Francisco Rebouças

O PARALÍTICO


       “E não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, destelharam a casa onde Jesus estava e, feita uma abertura, baixaram o leito em que jazia o paralitico.” — (MARCOS, capítulo 2, versículo 4.)

Muitas pessoas confessam sua necessidade do Cristo, mas freqüentemente alegam obstáculos que lhes impedem a sublime aproximação.

Uns não conseguem tempo para a meditação, outros experimentam certas inquietudes que lhes parecem intermináveis.

Todavia, para que nos sintamos na vizinhança do Mestre, como legítimos interessados em seus benefícios imortais, faz-se imprescindível estender a capacidade, dilatar os recursos próprios e marchar ao encontro dEle, sob a luz da fé viva.

Relata-nos o Evangelho de Marcos a curiosa decisão do paralítico que, localizando a casa em que se achava o Senhor, plenamente sitiada pela multidão, longe de perder a oportunidade, amparou-se no auxílio dos amigos, deixando-se resvalar por um buraco, levado a efeito no telhado, de maneira a beneficiar-se no contacto do Salvador, aproveitando fervorosamente o ensejo divino.

Recorda o paralítico de Cafarnaum e, na hipótese de encontrares grandes dificuldades para gozar a presença do Cristo, pelos teus impedimentos de ordem material, dirige-te para o Alto, com o amparo de teus amigos espirituais, e deixa-te cair aos seus pés divinos, recebendo forças novas que te restabeleçam a paz e o bom ânimo.

Livro: Caminho, Verdade e Vida
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

Esclarecimentos sobre a Mediunidade!

Caros amigos, continuaremos na tarefa de divulgação da doutrina espírita, mesmo que tenhamos que recomeçar diariamente.
Agradeço as mensagens de apoio e aproveito o ensejo para pedir que todos vocês nossos amigos, enviem para seus contatos o endereço do nosso novo Blog Espírita.
Matérias diariamente, notícias e tudo de bom que a doutrina espírita nos concede.
Um forte abraço.
Francisco Rebouças
DESOBSESSÃO, Cap. 1 a 5

1 PREPARO PARA A REUNIÃO: DESPERTAR

          No dia marcado para as tarefas de desobsessão, os integrantes da equipe precisam, a rigor, cultivar atitude mental digna, desde cedo.
          Ao despertar pela manhã, o dirigente, os assessores da orientação, os médiuns incorporadores, os companheiros da sustentação ou mesmo aqueles que serão visitas ocasionais no grupo, devem elevar o nível do pensamento, seja orando ou acolhendo idéias de natureza superior.
          Intenções e palavras puras, atitudes e ações limpas.
          Evitar deliberadamente rusgas e discussões, sustentando paciência e serenidade, acima de quaisquer transtornos que sobrevenham durante o dia.
          Trata-se de preparação adequada a assunto grave: a assistência a desencarnados menos felizes, com a supervisão de instrutores da Vida Espiritual.
          Imaginem-se os companheiros no lugar dos Espíritos necessitados de socorro e compreenderão a responsabilidade que assumem.
          Cada componente do conjunto é peça importante no mecanismo do serviço. Todo o grupo é instrumentação.

2 PREPARO PARA A REUNIÃO: ALIMENTAÇÃO

          A alimentação, durante as horas que precedem o serviço de intercâmbio espiritual, será leve.
          Nada de empanturrar-se o companheiro com viandas desnecessárias.
          Estômago cheio, cérebro inábil.
          A digestão laboriosa consome grande parcela de energia, impedindo a função mais clara e mais ampla do pensamento, que exige segurança e leveza para exprimir-se nas atividades da desobsessão.
          Aconselháveis os pratos ligeiros e as quantidades mínimas, crendo-nos dispensados de qualquer anotação em torno da impropriedade do álcool, acrescendo observar que os amigos ainda necessitados do uso do fumo e da carne, do café e dos temperos excitantes, estão convidados a lhes reduzirem o uso, durante o dia determinado para a reunião, quando não lhes seja possível a abstenção total, compreendendo-se que a posição ideal será sempre a do participante dos trabalhos que transpõe a porta do templo sem quaisquer problemas alusivos à digestão.

3 PREPARO PARA A REUNIÃO: REPOUSO FÍSICO E MENTAL

          Após o trabalho, seja ele profissional ou doméstico, braçal ou mental, faça o seareiro da desobsessão o horário possível de refazimento do corpo e da alma.
          Repouso externo e interno.
          Relaxe, com ideações edificantes.
          Abstenção de pensamentos impróprios.
          Aspirações para cima.
          Distância de preocupações inferiores.
          Preparação íntima, podendo incluir leitura moralizadora e salutar.
          Formação de ambiente particular respeitável, de cujos agentes espirituais, enobrecidos e puros, se valham os instrutores para a composição dos recursos de alívio e esclarecimento aos irmãos que, desenfaixados da veste física, ainda sofrem.
          Os responsáveis pelas tarefas da desobsessão devem compreender que as comunicações reclamam espontaneidade e que o preparo a que nos referimos é de ordem geral, sem a fixação da mente em exigências ou gratificações de sentimento pessoal.

4 PREPARO PARA A REUNIÃO: PRECE E MEDITAÇÃO

          Pelo menos durante alguns minutos, horas antes dos trabalhos, seja qual for a posição que ocupe no conjunto, dedique-se o companheiro de serviço à prece e à meditação em seu próprio lar.
          Ligue as tomadas do pensamento para o Alto.
          Retire-se, em espírito, das vulgaridades do terra-a-terra, e ore, buscando a inspiração da
          Vida Maior.
          Reflita que, em breve tempo, estará em contacto, embora ligeiro, com os irmãos domiciliados no Mundo Espiritual, para onde irá igualmente, um dia, e antecipe o cultivo da simpatia e do respeito, da compaixão produtiva e da bondade operosa para com todos aqueles que perderam o corpo físico sem a desejada maturação espiritual.
          Dessa forma, estará caminhando para a colaboração digna com os benfeitores desencarnados que são os legítimos ministradores do bem.

5 SUPERAÇÃO DE IMPEDIMENTOS: CHUVA

          Hora de sair para a reunião.
          Necessário vencer os percalços que o tempo é capaz de oferecer.
          Não raro, é a promessa de aguaceiro iminente ou a ventania forte, comparecendo por empecilhos habituais.
          Chuva ou frio...
          O integrante da equipe não se prenderá em casa por semelhantes obstáculos.
          Conservará, sempre à mão, o agasalho preciso e enfrentará quaisquer desafios naturais, consciente das obrigações que lhe competem.

Livro: Desobsessão
Chico Xavier/André Luiz

Francisco Rebouças

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Creio em Deus, sim!

Doutrina Espírita, revivendo o Cristianismo primitivo, dá a certeza da existência de Deus

Começo por dizer que, creio na existência de Deus porque sou Cristão, embora saiba que não são somente os cristãos, que crêem na sua existência, sou também espírita,  e não poderia deixar de crer fielmente em tudo que o Mestre de Nazaré nos veio revelar, entre outros inumeráveis ensinamentos nos disse: “Não se turbe o vosso coração. - Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. - Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais”. (1)

Mais adiante nos alerta: Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os comem e onde os ladrões os desenterram e roubam; - acumulai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os comem; - porquanto, onde está o vosso tesouro aí está também o vosso coração.
Eis por que vos digo: Não vos inquieteis por saber onde achareis o que comer para sustento da vossa vida, nem de onde tirareis vestes para cobrir o vosso corpo. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes?
Observai os pássaros do céu: não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros; mas, vosso Pai celestial os alimenta. Não sois muito mais do que eles? - e qual, dentre vós, o que pode, com todos os seus esforços, aumentar de um côvado a sua estatura?
Por que, também, vos inquietais pelo vestuário? Observai como crescem os lírios dos campos: não trabalham, nem fiam; - entretanto, eu vos declaro que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. - Ora, se Deus tem o cuidado de vestir dessa maneira a erva dos campos, que existe hoje e amanhã será lançada na fornalha, quanto maior cuidado não terá em vos vestir, ó homens de pouca fé!
Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos? ou: que beberemos? ou: de que nos vestiremos? - como fazem os pagãos, que andam à procura de todas essas coisas; porque vosso Pai sabe que tendes necessidades delas.
Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. - Assim, pois, não vos ponhais inquietos pelo dia de amanhã, porquanto o amanhã cuidará de si. A cada dia basta o seu mal.” (2)

Ensinando-nos a orar nos fala desse Pai misericordioso e Bom, dizendo: Pai nosso, que estás nos céus..., apresentando-nos Deus como Pai comum a todos nós. Jesus, nos ensinou com isso, que todos somos seus filhos, portanto, no mundo somos todos irmãos, pertencentes a uma só e única família, e, por isso mesmo, temos o dever de ajudarmo-nos mutuamente e, para tanto, Ele mesmo exemplificou para nos instruir, exercendo fraternidade para com todos os que necessitaram de sua ajuda, auxiliando indistintamente ricos e pobres, felizes e infelizes, sãos e doentes, mostrando-nos o verdadeiro caminho para que nos habilitássemos a encontrar a paz e a felicidade, no estado de pureza e perfeição espiritual que deveremos  trabalhar por conseguir. (3)

Se, nos dizemos seus seguidores, precisamos seguir-lhe os exemplos e ensinos, tendo Deus como nosso Pai e criador, e a humanidade como nossa família, reconhecendo em cada criatura à nossa volta, um irmão merecedor de nosso respeito, carinho e atenção, esteja ele no estágio evolutivo que estiver, pois, só assim, a vida na terra poderá ser para todos bela e gloriosa...

“Conta-se que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho, cada noite, que, certa vez, o rico chefe de grande caravana cha­mou-o à sua presença e lhe perguntou:

— Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler?
O crente fiel respondeu:
— Grande senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele.
— Como assim? — indagou o chefe, admirado.
O servo humilde explicou-se:
— Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?
— Pela letra.
— Quando o senhor recebe uma jóia, como éque se informa quanto ao autor dela?
— Pela marca do ourives.
O empregado sorriu e acrescentou:
— Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe, depois, se foi um carneiro, um cavalo ou um boi?
— Pelos rastros — res­pondeu o chefe, surpreen­dido.
Então, o velho crente convidou-o para fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a Lua brilhava, cercada por multidões de estrelas, exclamou, respei­toso:
- Senhor, aqueles si­nais, lá em cima, não po­dem ser dos homens!
Nesse momento, o orgu­lhoso caravaneiro, de olhos lacrimosos, ajoelhou-se na areia e começou a orar também” .(4)

Essa bela narrativa, bem nos dá uma exata noção de que se meditarmos na grandeza e beleza do Universo Infinito, e buscarmos um construtor para essa imensa e incomparável obra, entre os seres humanos, veremos que não há no mundo alguém capaz de tamanha proeza, e crer que tudo isso à nossa volta foi criação do “acaso”, é desperdiçar  a bênção sublime da inteligência, para ser irracional, supondo que o nada é capaz de elaborar o todo.

Em o Livro dos Espíritos, os emissários Superiores do Mestre de Nazaré, responderam ao insigne codificador da doutrina espírita sobre o assunto conforme segue nas questões abaixo:

1. Que é Deus?

“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.

4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

8. Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?

“Outro absurdo! Que homem de bom-senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada.”

A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a
inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso.

9. Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?

“Tendes um provérbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!”

Do poder de uma inteligência se julga pelas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, conseguintemente, uma inteligência superior à Humanidade.

Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe dêem. (5)

A Doutrina Espírita, revivendo o Cristianismo primitivo, isto é, o Cristianismo ensinado pelo próprio Jesus, nos dá a certeza absoluta da existência de Deus, não nos permitindo ter qualquer tipo de dúvida de sua existência e da criação de tudo e de todos, alertando-nos ainda para o fato de que se ainda não nos é possível compreender a sua natureza íntima, não quer dizer que ele não exista, precisamos sim, é “ter olhos de ver e ouvidos de ouvir” como nos alertou o Mestre, para perceber que nossa condição de inferioridade não nos permite compreender a sua natureza íntima, e que no nosso atual estado evolutivo, o homem muitas das vezes confunde Deus com as próprias criaturas atribuindo-lhe imperfeições, por não ter suficiente compreensão dos seus atributos; só à medida que se desenvolver em inteligência e moralidade poderá ter idéias mais justas da Divindade. 
Fontes:
1- S. JOÃO, cap. XIV, vv. 1 a 3.
2- S. MATEUS, cap. VI, vv. 19 a 21 e 25 a 34.
3-  E.S.E. Cap. XXVIII item 1
4- Livro: Pai Nosso – Chico Xavier – Espírito Meimei.
5- O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
Grifos Nossos
Publicado originalmente na RIE, edição Dezembro/06

Francisco Rebouças.

Comportamento Cristão

Esforços pessoais no bem indicam consciência do próprio papel

Todos os que se decidiram por estudar o comportamento Humano, encontraram diversas situações, nas quais, os costumes e procedimentos tão comuns de uma nação contrária à ética e a moral de outras tantas, não sendo o comportamento humano uniforme em todas as partes do mundo, muitas das vezes nem no mesmo país. Não se pode duvidar dos avanços científicos em todo o mundo, particularmente na área da informática, facilitando em muito os contatos entre cidadãos de comunidades distantes, de um pólo a outro do universo, notadamente através dos meios de comunicação, em especial pelas facilidades surgidas com o advento da Internet.

Nem por isso, o nível de moralidade e entendimento entre os povos acompanhou o progresso da tecnologia, e por isso mesmo, estamos sempre às voltas com os problemas causados à sociedade pelos hackers, que se dispõem a utilizar os recursos da informática para causar prejuízos a terceiros, através da invenção de avançados métodos de destruição das memórias dos computadores com a invasão dos incontáveis vírus produzidos por inteligências privilegiadas que por não se adequarem aos princípios da moral e da ética, produzem dissabores e prejuízos incontáveis a tantas criaturas em todo o mundo.

Isso, sem falar de tantos outros, que a utilizam com finalidades escusas, como a exploração do sexo infantil; para descobrirem as senhas dos clientes das instituições bancárias e lhes roubarem avultadas somas monetárias; para espalharem notícias infundadas com o objetivo único de causar desequilíbrio à sociedade; no bombardeio religioso, onde procuram perturbar aqueles que não lhes comungam as filosofias religiosas que defende etc., para não ter que listar mais de mil outras maneiras de utilizar-se de forma indevida e propositadamente maldosa, da facilidade oferecida pela moderna tecnologia.

Observamos em todos esses tipos de criaturas, pessoas absolutamente carentes das riquezas do espírito, embora muitos deles sejam  bem aquinhoados em termos materiais, com os quais se utilizam exatamente para causar danos a terceiros, empregando soma respeitável de recursos financeiros e desperdiçando seu tempo disponível, na elaboração de dissabores e destruição no desprezo com que tratam seu próximo, pelo qual se acha sem obrigações de desenvolver uma boa convivência e nem mesmo de respeitá-lo.

E o Espiritismo?

É, aí, que entra o ensino da Doutrina Espírita, para nos esclarecer que o indivíduo se promove verdadeiramente na comunidade onde vive, justamente por respeitar as Leis, as regras do bom procedimento, o cuidado em não causar prejuízos aos seus semelhantes, atitudes estas que o levam ao estado feliz da alma propiciando-lhe prazer e bem-estar, irradiando de si as vibrações de harmonia e paz com que envolve a todos em sua volta.

Sugere-nos o Evangelho de Jesus, que busquemos ser gentis com todos, não só com a preocupação de fazer amigos, mas, em fazê-los felizes; ensina-nos a usar de bondade indistintamente não com o desejo de influenciar as pessoas, mas, para tranqüilizá-las; ter sempre um sorriso nos lábios, não para parecer simpático, mas, sim por trazer o sol na alma; pede-nos evitar a crítica ácida em todas as circunstâncias, não porque isso possa gerar simpatia, mas, por reconhecer que não temos o direito de julgar ninguém, pois da mesma forma não estamos livres de equívocos; ensina-nos a espalhar otimismo em volta de nossos passos, não para impressionar os outros, mas, por carregar no íntimo a alegria de viver.

Ensinamento claro

Esclarece-nos ainda inúmeras outras atitudes para nosso procedimento diário, como: evitar revidar o mal que nos fazem, desculpar os nossos infratores, utilizarmo-nos de sinceridade em qualquer oportunidade que se nos apresente, ser discreto em nossos atos, gestos e discursos,  procurar ser o mesmo em qualquer ocasião. Diante de tantos ensinamentos chegaremos então facilmente à conclusão de que todos aqueles que ainda procuram na desgraça de seu semelhante a satisfação de seus desejos inferiores, são na verdade irmãos que carecem não de nosso repúdio e indiferença, muito menos de nosso ódio ou vingança de qual jaez, e sim, criaturas necessitadas de nosso apoio e das nossas sinceras preces, no pedido a Jesus para que os ajudem a abandonar a escura estrada por onde trilham, e que lhes estenda as mãos da mesma forma que outrora nos estendeu elevando esses nossos irmãos em humanidade; e, se possível for, nos utilizar de alguma forma, para que também nós os socorramos, assim como somos diariamente socorridos pelos mensageiros do bem.

Encontramos no Livro dos Espíritos as explicações que nos deram os imortais da Vida Maior, para que melhor entendamos o estágio pelo qual passam esses nossos irmãos, e nos decidamos por oferecer-lhes ajuda, a começar por nossas sinceras preces que muito os ajudarão a encontrar a alegria e a honra de se tornarem bons.

“361.  Qual a origem das qualidades morais, boas ou más, do homem?

R. São as do Espírito nele encarnado. Quanto mais puro é esse Espírito, tanto mais propenso ao bem é o homem.

365. Por que é que alguns homens muito inteligentes, o que indica acharem-se encarnados neles Espíritos superiores, são ao mesmo tempo profundamente viciosos ?

R. É que não são ainda bastante puros os Espíritos encarnados nesses homens, que, então, e por isso, cedem à influência de outros Espíritos mais imperfeitos. O Espírito progride em insensível marcha ascendente, mas o progresso não se efetua simultaneamente em todos os sentidos. Durante um período da sua existência, ele se adianta em ciência; durante outro, em moralidade.

469. Por que meio podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos ?

R.  Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejem ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai especialmente dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo lado fraco. Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer: “Senhor! não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.”

470. Os Espíritos, que ao mal procuram induzir-nos e que põem assim em prova a nossa firmeza no bem, procedem desse modo cumprindo missão? E, se assim é, cabe-lhes alguma responsabilidade ?

R. A nenhum Espírito é dada a missão de praticar o mal. Aquele que o faz fá-lo por conta própria, sujeitando-se, portanto, às conseqüências. Pode Deus permitir-lhe que assim proceda, para vos experimentar; nunca, porém, lhe determina tal procedimento. Compete-vos, pois, repeli-lo.

645. Quando o homem se acha, de certo modo, mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se lhe torna um arrastamento quase irresistível ?

R. Arrastamento, sim; irresistível, não; porquanto, mesmo dentro da atmosfera do vício, com grandes virtudes às vezes deparas. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, receberam a missão de exercer boa influência sobre os seus semelhantes.”

Façamos pois, a nossa parte, e confiemos em Deus nosso Pai, que assim como já não aceitamos esses procedimentos como dignos de serem utilizados por quem se denomina Cristão, certamente em breve, com nossa ajuda no que nos for possível fazer, estaremos sendo testemunhas da transformação de muitas outras criaturas que no momento se deleitam com  atitudes tão infelizes.

Que o Mestre de Nazaré nos mantenha envolvidos em sua doce paz.

Biografia: Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, FEB. 76ª Edição. 

Matéria publicada originariamente na RIE -  Revista Internacional de Espiritismo – Edição de Março/2006.

Francisco Rebouças.

Ansiedade, filha da pressa, caminho para o engano!

É, bastante prudente, tomarmos todos os cuidados como medida cautelar para evitarmos o estado de ansiedade que freqüentemente nos toma de surpresa, causando-nos um mal-estar que nos desequilibra, incomoda e entristece por muito tempo. Começa de maneira bem sutil, e quando nos apercebemos, já estamos aflitos inquietos, angustiados, preocupados com alguma coisa que nem sempre se concretiza, mas que nos causa antecipadamente enormes prejuízos emocionais, chegando mesmo algumas vezes a nos adoecer. Isso, acontece, porque  como seres imperfeitos que ainda somos, não temos a devida paciência para esperar o tempo adequado para a realização das coisas que almejamos realizar, e apressadamente nos atiramos na busca da solução que demanda normalmente tempo e trabalho.

Não observamos os exemplos que a “mãe natureza” nos fornece como ensinamentos, a todo o instante, mostrando-nos que o fruto não surge sem que a árvore esteja devidamente pronta e na época certa de sua estação; que o dia não chega antes que a madrugada se vá; que a noite não surge sem que o Astro Rei tenha iluminado todo o dia etc., em vão também será todo o esforço mal direcionado e todo o trabalho que não se apóia na disciplina do respeito ao tempo necessário para sua concretização, e,  por isso mesmo, não poderá ter sua conclusão de forma perfeita, em vista de que tudo tem seu tempo de realização, como diz a sabedoria popular “a pressa é inimiga da perfeição”.

Encontramos em Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo V, as instruções que seguem que muito nos aclaram sobre o assunto conforme segue: “Sabeis por que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos corações e vos leva a considerar amarga a vida? E que vosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, jungido ao corpo que lhe serve de prisão, em vãos esforços para sair dele. Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia, e vos julgais infelizes. Crede-me, resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma vida melhor; mas, não as busqueis neste mundo e, agora, quando Deus vos envia os Espíritos que lhe pertencem, para vos instruírem acerca da felicidade que Ele vos reserva, aguardai pacientemente o anjo da libertação, para vos ajudar a romper os liames que vos mantêm cativo o Espírito. Lembrai-vos de que, durante o vosso degredo na Terra, tendes de desempenhar uma missão de que não suspeitais, quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou. Se, no curso desse degredo-provação, exonerando-vos dos vossos encargos, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os resolutos. Duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que, jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão os braços, a fim de guiar-vos a uma região inacessível às aflições da Terra. - François de Genève. (Bordéus.)”

Necessário se faz, empenharmo-nos com esmero, disciplina e confiança, no trabalho de elaboração de todo o nosso empreendimento de qualquer ordem, seja no âmbito familiar, profissional, religioso etc., na execução do que está sob nossa responsabilidade, e aguardemos o devido tempo de espera necessário para a realização adequada do nosso objetivo, que chegará na hora certa, e não apressemos os resultados antes da época certa da sua colheita; pois bem sabemos que mesmo que os frutos surjam, ainda se faz imprescindível que respeitemos o tempo necessário para a colheita na hora mais adequada, sem precipitações que nos causariam perda da safra de nossa preciosa semeadura.

Pode acontecer, que mesmo com todo o nosso trabalho no cuidado com nossa lavoura, não colhamos os resultados que esperamos colher, em vista dos inúmeros imprevistos que poderão suceder, e nem por isso, nosso estado de ansiedade será capaz de alterar o resultado final da colheita, visto que tudo é antes de qualquer coisa concessão Divina que poderá muito bem achar que não é hora de conquistarmos tal ou qual coisa e que por isso mesmo, precisamos ter calma, equilíbrio e paciência para aceitarmos os desígnios superiores em relação às nossas construções atuais, sem esquecer  que ainda temos inúmeras dívidas a saldar com a Lei Maior.

Em o Livro dos Espíritos encontramos as sábias instruções dadas pelos Imortais da Vida Maior, em resposta ao questionamento feito por Allan Kardec sobre o assunto conforme segue:

984. As vicissitudes da vida são sempre a punição das faltas atuais?

“Não; já dissemos: são provas impostas por Deus, ou que vós mesmos escolhestes como Espíritos, antes de encarnardes, para expiação das faltas cometidas em outra existência, porque jamais fica impune a infração das leis de Deus e, sobretudo, da lei de justiça. Se não for punida nesta existência, sê-lo-á necessariamente noutra. Eis porque um, que vos parece justo, muitas vezes sofre. É a punição do seu passado.”

Bibliografia: Kardec, Allan - E.S.E. Capítulo V, item 25;
                     Kardec, Allan - Livro dos Espíritos – perg. 984.

Francisco Rebouças. 

APREGUIÇA

Tida como doença da alma, a preguiça tem como sócio majoritário o desânimo

O dicionário, da língua portuguesa, define o termo preguiça como sendo: aversão ao trabalho; morosidade; negligência; pachorra; moleza; indolência; vadiagem. Portanto, preguiçoso, é todo o indivíduo portador de qualquer desses “predicados”; e a doutrina espírita nos assevera que a preguiça causa sérias implicações na vida do individuo preguiçoso, alertando para o fato de que, é ela, um dos maiores empecilhos ao progresso moral e espiritual do indivíduo, e, por conseguinte, um grande entrave ao desenvolvimento geral da sociedade, em todos os campos da atividade humana.

A preguiça, é uma doença da alma, e tem como sócio majoritário, o desânimo, por conseguinte, provoca, com sua ação maléfica ao espírito que se deixa impregnar por seus efeitos paralisantes, sérios transtornos para o desenvolvimento de uma vida digna e saudável, acarretando em seu portador sérios e pesados desequilíbrios que o arremessarão de encontro a prejuízos de incalculável monta.

Os efeitos provocados pela preguiça no indivíduo, iniciam-se de forma bem sutil e quase imperceptível, na forma de um pequeno desânimo, que se não for logo detectado e combatido, se estabelecerá com grande rapidez nas engrenagens psíquicas do indivíduo, justamente quando ele mantendo as mãos desocupadas, e a cabeça despreocupada de pensamentos positivos que a responsabilidade do trabalho exige, para a sua consecução, entrega-se a ociosidade que fatalmente o levará de encontro a invigilância e o colocará na faixa vibratória dos inimigos da Luz, que logo estarão lhe fazendo companhia, sugerindo pensamentos de baixo teor de moralidade e dignidade, arrastando-o ao encontro de idealizações inferiores e enfermiças sem proveito algum para a sua necessidade de crescimento espiritual, trazendo à tona as sombras da cegueira espiritual de que é portador, envolvendo-o sem que se dê conta em desequilíbrio, mergulhando num mar de enfermidades, moléstias e tormentos.

Desse infeliz consórcio, dentre em pouco, estará o indivíduo envolto em sérios problemas obsessivos, em que os representantes das trevas lhe causarão muitos dissabores e sofrimentos de difícil solução; pois, a ociosidade, é tóxico poderoso que polui a vida      moral-espiritual do incauto que lhe concede abrigo.

Na literatura espírita, encontramos sábios e importantes alertas dos benfeitores espirituais, para que nos mantenhamos em guarda, “vigiando e orando” como nos ensinou o Mestre de Nazaré, para não cairmos em tentação, conforme segue:

Dissertação moral ditada por São Luís à senhorita Hermance Dufaux (5 de maio de 1858).
l
Um homem saiu de madrugada e foi para a praça pública para ajustar trabalhadores. Ora, ele viu dois homens do povo que estavam sentados de braços cruzados. Foi a um deles e o abordou dizendo: "Que fazes tu aqui?" e este tendo respondido: "Não tenho trabalho", aquele que procurava trabalhadores lhe disse: "Tome tua enxada, e vá para o meu campo, sobre a vertente da colina, onde sopra o vento sul; cortarás a urze e revólveres o solo até que a noite chegue; a tarefa é rude, mas terás um bom salário." E o homem do povo carregou a enxada sobre os ombros, agradecendo-lho em seu coração.
O outro trabalhador, tendo ouvido isso, se ergueu do seu lugar e se aproximou dizendo: "Senhor, deixai-me também ir trabalhar em vosso campo;" e o senhor tendo dito a ambos para segui-lo, caminhou adiante para lhes mostrar o caminho. Depois, quando chegaram à beira da colina, dividiu a obra em duas partes e se foi dali.
Depois que partiu, o último dos trabalhadores que havia contratado, primeiramente pôs fogo nas urzes do lote que lhe coube em partilha, e trabalhou a terra com o ferro de sua enxada. O suor jorrou do seu rosto sob o ardor do sol. O outro o imitou primeiro murmurando, mas se cansou cedo do seu trabalho, e cravando sua enxada sob o sol, sentou-se perto, olhando seu companheiro trabalhar.
Ora, o senhor do campo veio perto da noite, e examinou a obra realizada, e tendo chamado a ele o obreiro diligente, cumprimentou-o dizendo: "Trabalhaste bem; eis teu salário," e lhe deu uma peça de prata, despedindo-o. O outro trabalhador se aproximou também e reclamou o preço de sua jornada; mas o senhor lhe disse: "Mau trabalhador, meu pão não acalmará tua fome, porque deixaste inculta a parte de meu campo que te havia confiado;" não é justo que aquele que nada fez seja recompensado como aquele que trabalhou bem; e o mandou embora sem nada lhe dar.
II
Eu vos digo, a força não foi dada ao homem, e a inteligência ao seu espírito, para que consuma seus dias na ociosidade, mas para que seja útil aos seus semelhantes. Ora, aquele cujas mãos sejam desocupadas e o espírito ocioso será punido, e deverá recomeçar sua tarefa.

Eu vos digo, em verdade, sua vida será lançada de lado como uma coisa que não foi boa em nada, quando seu tempo se tiver cumprido; compreendei isto por uma comparação. Qual dentre vós, se há em vosso pomar uma árvore que não produz bons frutos, não dirá ao seu Servidor: Cortai essa árvore e lançai-a ao fogo, porque seus ramos são estéreis. Ora, do mesmo modo que essa árvore será cortada por sua esterilidade, a vida do preguiçoso será posta de lado porque terá sido estéril em boas obras. ¹

Os Espíritos Superiores, nos afirmam que o trabalho é uma Lei Natural, a que todos estamos submetidos, consoante os esclarecimentos contidos nas respostas esclarecedoras que prestaram às questões formuladas pelo codificador da doutrina espírita, nas questões seguintes:
Necessidade do trabalho

647. A necessidade do trabalho é lei da Natureza?
“O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos.”

675. Por trabalho só se devem entender as ocupações materiais?
“Não; o Espírito trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho.”

676. Por que o trabalho se impõe ao homem?
“Por ser uma conseqüência da sua natureza corpórea. É expiação e, ao mesmo tempo, meio de aperfeiçoamento da sua inteligência. Sem o trabalho, o homem permaneceria sempre na infância, quanto à inteligência. Por isso é que seu alimento, sua segurança e seu bem-estar dependem do seu trabalho e da sua atividade. Ao extremamente fraco de corpo outorgou Deus a inteligência, em compensação. Mas é sempre um trabalho.”

678. Em os mundos mais aperfeiçoados, os homens se acham submetidos à mesma necessidade de trabalhar?
“A natureza do trabalho está em relação com a natureza das necessidades. Quanto menos materiais são estas, menos material é o trabalho. Mas, não deduzais daí que o homem se conserve inativo e inútil. A ociosidade seria um suplício, em vez de ser um benefício.”

679. Achar-se-á isento da lei do trabalho o homem que possua bens suficientes para lhe assegurarem a existência?
“Do trabalho material, talvez; não, porém, da obrigação de tornar-se útil, conforme aos meios de que disponha, nem de aperfeiçoar a sua inteligência ou a dos outros, o que também é trabalho. Aquele a quem Deus facultou a posse de bens suficientes a lhe garantirem a existência não está, é certo, constrangido a alimentar-se com o suor do seu rosto, mas tanto maior lhe é a obrigação de ser útil aos seus semelhantes, quanto mais ocasiões de praticar o bem lhe proporciona o adiantamento que lhe foi feito.”

680. Não há homens que se encontram impossibilitados de trabalhar no que quer que seja e cuja existência é, portanto, inútil?
“Deus é justo e, pois, só condena aquele que voluntariamente tornou inútil a sua existência, porquanto esse vive a expensas do trabalho dos outros. Ele quer que cada um seja útil, de acordo com as suas faculdades.” (643) ²

Diante dos cristalinos ensinamentos, contidos nas obras da esclarecedora doutrina espírita, precisamos de toda atenção para que não nos tornemos por nossa vez, vítimas desse dragão devastador que é a preguiça, causadora de muitos tormentos e decepções a um número incalculável de criaturas que lhes caíram nas malhas.

Só através do trabalho constante e disciplinado, na busca do nosso crescimento como Seres em processo de autoburilamento, enfrentando corajosamente os obstáculos que a vida nos impõe, utilizando da bênção do trabalho, é que conseguiremos atravessar com eficiência esse atual estágio evolutivo em que nos achamos, na construção de um futuro brilhante e proveitoso na busca da felicidade relativa que tanto almejamos e, que só depende de nós conseguí-la.

O trabalho é por isso mesmo o único meio pelo qual poderemos conquistar nossos objetivos de elevação como Seres imortais que somos, em direção ao encontro com o Pai criador que nos aguarda com os necessários benefícios que serão ofertados a tantos quantos fizerem o inevitável esforço por merecer.

Portanto, reage com vigor e determinação às tentativas de alojamento da preguiça nos tecidos sutis de teu equipamento psíquico, e assume nova postura diante da vida, que te oferece diariamente inúmeras oportunidades de crescimento e desenvolvimento a teu próprio benefício, e procura entender que ninguém está no mundo por acaso, e sim com finalidades e objetivos adredemente estabelecidos, que deve atender, para seu aperfeiçoamento, e espelha-te no exemplo que te dá o Sol, que todos os dias aquece e ilumina teus caminhos, e prossegue trabalhando na construção do teu destino final que é a perfeição e a felicidade.

Fontes:
1- Revista Espírita, junho de 1858              
2- O Livro dos espíritos – FEB, 76º edição.
Grifos nossos.

Francisco Rebouças