Espiritismo em Foco

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ENTREVISTA COM PAULO NETO

O FRANCISCO REBOUÇAS ESPIRITISTA TEM O PRAZER DE APRESENTAR AOS NOSSOS DISTINTOS AMIGOS, A ENTREVISTA QUE NOS FOI CONCEDIDA PELO RENOMADO PESQUISADOR ESPÍRITA, PAULO DA SILVA NETO SOBRINHO.
Entrevista: 

Dados do nosso entrevistado:

Paulo da Silva Neto Sobrinho é natural de Guanhães, MG.

Bacharel em Ciências Contábeis e em Administração de Empresas pela Universidade Católica-MG (PUC-BH). Aposentou-se como Fiscal de Tributos pela Secretaria da Fazenda-MG.

Adepto do Espiritismo desde Julho/1987; atualmente frequenta o Movimento Espírita em Belo Horizonte, MG. 

Articulista de diversos periódicos espíritas, entre eles, pode-se citar a revista Espiritismo & Ciência, da Mythos Editora, onde tem vários artigos publicados.

Na Web, vários sites espíritas publicam alguns de seus textos, entre eles:

Paulo Neto é autor dos livros seguintes:
A Bíblia à Moda da Casa
Alma dos Animais: estágio anterior da alma humana?
Espiritismo, princípios, práticas e provas.
Os espíritos comunicam-se na Igreja Católica.
Racismo em Kardec? (Ebook).
As colônias espirituais e a codificação.
Kardec & Chico: dois missionários. 

FR: Prezado Paulo Neto, como aconteceu o seu encontro com a doutrina espírita? 

PN: Na época vivia um relacionamento com uma jovem, que passava por sério problema de obsessão. Fomos orientados a procurar uma Casa Espírita, foi o que fizemos, o carinho com que receberam a nós dois, me sensibilizou muito. Constatada a obsessão, a Casa Espírita, diante da gravidade, que se apresentava o caso, abriu uma reunião específica para atendê-la. A partir daí comecei a questionar se havia algum sentido as pessoas brincarem de receber espíritos outros de conversar com eles, se não havia público algum, além de nós dois. Resolvi ler as obras de Kardec, e a partir daí, meu caro amigo, estou as lendo até hoje. (risos) 

FR: Qual a casa espírita que você frequenta na atualidade? 

PN: Atualmente frequento o Centro Espírita Manoel Felipe Santiago, no Bairro Santo Antônio, uma das tradicionais Casas Espíritas de Belo Horizonte. Atendendo a convite dos amigos, faço palestras em cerca de umas 20 outras. 

FR: A Doutrina Espírita completou 159 anos de existência, seu conteúdo permanece atualizado ou precisa ser reformado em algum ponto? 

PN: Kardec disse que “O Livro dos Espíritos não é um tratado completo do Espiritismo; não faz senão colocar-lhe as bases e os pontos fundamentais, que devem se desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação. (Revista Espírita de julho de 1866, artigo Visão Retrospectiva das existências dos Espíritos, 3º§), portanto, a Doutrina Espírita sendo progressista caberá novas orientações até mesmo diante do progresso tecnológico e científico da atualidade. Na Codificação, por exemplo, nada foi falado a respeito de bebê de proveta, entretanto, isso é uma realidade. A meu ver, um ponto ainda controverso no meio espírita é se o princípio inteligente, na sua escalada evolutiva, passou ou não pelo reino mineral. Enfim, há muitas coisas que carecem de maiores esclarecimentos. 

FR: Como proceder para divulgarmos de maneira correta a mensagem espírita? 

PN: Poderíamos focar na divulgação via mídia (TV, Internet) promovendo a divulgação com programas sérios, feitos por pessoas reconhecidamente competentes. Seria, também, uma boa oportunidade dos expositores de destaque serem vistos e ouvidos por um maior número de pessoas. 

FR: Acompanhamos seu trabalho na divulgação do Espiritismo, e particularmente na defesa da fidelidade doutrinária, como você está vendo essa invasão de livros tidos como espíritas sem a necessária preocupação com os preceitos contidos na codificação do Espiritismo? 

PN: Infelizmente, no meio espírita, há considerável número de publicações que comprometem em muito a sua natureza de revelação divina, porquanto sérios questionamentos doutrinários surgem delas. Sendo uma Doutrina da lógica e do bom senso, ela, por si só, agrada a muitas pessoas, mas essas obras prejudicam-na, às vezes, levando-a ao ridículo. 

FR: Com a experiência de dedicado pesquisador da doutrina espírita, o que você pode nos dizer dos diversos livros, artigos, etc., publicados na mídia espírita que falam de assuntos doutrinariamente polêmicos sem citar as fontes de onde são retiradas da codificação espírita? 

PN: Se não colocam as fontes caem no “achismo”, ou seja, espelham opiniões pessoais dos autores. Se, defendemos a causa espírita, devemos mostrar ao leitor onde buscamos os argumentos doutrinários para sustentar nossas ideias e/ou conclusões. Quando se falar em nome da doutrina, dever-se-ia tratar o livro ou artigo nos moldes de um trabalho acadêmico, é o que procuro fazer com tudo que escrevo. 

FR: Você acabou de lançar o livro Kardec e Chico dois missionários, trazendo um manancial de informações que esclarecem que Chico não foi a reencarnação de Kardec, como você vê a opinião dos que afirmam que Chico é Kardec, sem a preocupação de apresentar argumentos de pesquisas sérias como a sua? 

PN: O grande problema disso é que iludem muita gente, especialmente, aqueles que não têm um conhecimento doutrinário mais aprofundado ou os que acabam de adentrar ao Movimento Espírita. Quando me propus a escrever esse livro, tive como objetivo atingir a esse público, não me moveu a intenção de converter ninguém ao que penso. Se os argumentos, calcados em fontes confiáveis, que apresentamos ao leitor, são bons, aceite-os, caso contrário, usando uma linguagem da informática, delete-os. 

FR: Como o livro tem sido recebido pelo movimento espírita em geral? 

PN: A resposta do público tem sido bem positiva. De Portugal, mandou-me um e-mail elogiando o nosso livro a escritora Manuela Vasconcelos, presidente da Comunhão Espírita Cristã de Lisboa. 

FR: Fale-nos sobre outro assunto para o qual você dedicou grande trabalho de pesquisa, para esclarecimento de quantos ainda tinham dúvidas sobre “O Espírito da Verdade”, que alguns espíritas insistem em dizer que era um grupo de espíritos participantes da obra da codificação do espiritismo. 

PN: Diante da pesquisa que fiz do tema, ficou bem claro que ele era o coordenador de todos os Espíritos envolvidos na codificação. Kardec, em a Revista Espírita 1866, afirmou categórico: “A qualificação de Espírito de Verdade não pertence senão a um e pode ser considerado como nome próprio; ela é especificada no Evangelho.” Quanto à sua identificação temos, por exemplo, Erasto que o designou de “Mestre de todos nós” e “Nosso Mestre bem-amado”. Compare-se a mensagem IX do cap. XXI de O Livro dos Médiuns, que, em nota, Kardec disse ter sido assinada por Jesus de Nazaré, com a mensagem número 5 do Cap. VI do Evangelho Segundo o Espiritismo, que está assinada pelo Espírito de Verdade. 

FR: Já sofreu críticas ou reprovação por agir dessa forma, pesquisar antes de informar? 

PN: Ah!, meu caro amigo, não há ninguém que escape às críticas, nem mesmo o mestre Jesus deixou de sofrê-las. Mas, o que me move a seguir em frente, é a opinião dos amigos sinceros e, especialmente, dos estudiosos. Já me qualificaram de “roustainguista” e de “desvalorizar a grandeza espiritual de Kardec”, isso vem de pessoas que não admitem ninguém ser contrário ao que pensam.

FR: Tem algo que acontece no Movimento espírita que você não aprecia? 

PN: Infelizmente, há duas coisas que não vejo com bons olhos. Primeira é como os espíritas tratam uns aos outros em suas discussões a respeito de qualquer assunto, está mais para “armai-vos uns contra os outros”. A segunda, é o pouco-caso que alguns companheiros tratam quase todos, especialmente, aqueles que se julgam de saber ilimitado, menosprezando qualquer opinião que não for a dele. 

FR: Por quais motivos nas Casas Espíritas os estudos sistematizados da doutrina são tão poucos frequentados? 

PN: Esse parece-me ser um mal quase que generalizado das Casas Espíritas. Dois fatores contribuem para isso; o primeiro está diretamente ligado ao coordenador, se não for alguém competente doutrinariamente e bom líder acaba dispersando as pessoas; o segundo, é que muitos expositores não aproveitam dos recursos da informática para dinamizar suas exposições, tirando-as das leituras intermináveis e monótonas, que invés de interesse despertam sono. 

FR: O que você diria a quem lhe pedisse orientação de obras para iniciar no conhecimento do espiritismo? 

PN: Há algum tempo atrás eu sempre recomendava a obra O Livro dos Espíritos, mas o retorno que as pessoas me davam não era nada bom. Passei a recomendar a obra O que é o Espiritismo (cuja interrogação do título sumiu), e percebi a mudança, as respostas passaram a ser positivas. Pensei comigo: “Que ideia genial”. Mas, para abater minha tola vaidade acabei por descobrir que essa ideia genial é de Kardec, que nessa própria obra e em O Livro dos Médiuns ele recomenda que se inicie os estudos pelo O que é o Espiritismo?. Pus as barbas de molho. (risos) 

FR: O aborto continua sendo o assunto mais discutido no meio espírita no momento, de que maneira nós espíritas podemos contribuir para evitar esse crime? 

PN: Não vejo outra forma senão a de esclarecer qual é o ponto de vista doutrinário sobre o aborto. Mas, para que isso aconteça, é necessário que o tema esteja programado para ser tratado nas reuniões públicas e nas de mocidades. Julgo ser o esclarecimento o melhor antídoto. 

FR: Porque nos dias de hoje, 2016 anos após Jesus nos trazer suas mensagens de amor e respeito ao próximo, o ser humano ainda não pratica seus ensinamentos? 

PN: Isso é a prova inconteste do atraso moral da humanidade. O progresso se fará quer queiramos ou não, porquanto a vontade de Deus se cumprirá. A semente foi lançada ao solo, o tempo da frutificação acontecerá, é da lei. Julgo que Deus não tem pressa, o infinito relativiza qualquer noção que temos sobre a duração do tempo. 

FR: Quais seus projetos para o futuro?  

PN: Nenhum projeto específico, mas gostaria de nunca sair da trilha que já tracei em relação ao fato de que minha opinião não pode se sobrepor aos conceitos doutrinários. Para isso conto como os amigos, aos quais todos os meus textos são enviados, são os meus filtros para manter-me nos limites doutrinários e para não sair do respeito que devo ter para com os outros, mesmo que suas opiniões sejam contrárias às minhas. 

FR: Paulo Neto, o que você gostaria de ter respondido, e que eu deixei de te perguntar? 

PN: Sobre algo que Chico Xavier disse e que me marcou. Trago para reflexão de todos nós, espíritas, essa afirmação simples e profunda ao mesmo tempo, dita por nosso Chico: “Se nós pudéssemos colocar uma legenda na frente de cada conjunto residencial, de cada cidade, de cada aldeia, de cada metrópole, de cada grande capital do progresso humano, se nós pudéssemos e tivéssemos bastante autoridade para isso, escolheríamos aquela frase de Nosso Senhor Jesus Cristo quando ele nos disse: 'Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!'” 

FR: Para encerrar, gostaríamos que deixasse registrada sua mensagem a toda família espírita brasileira, através do Francisco Rebouças Espiritista. 

PN: “Muito se pedirá àquele a quem muito mais coisas se haja confiado.” (Lc 12,48) essa frase, dita por Jesus, muito me preocupa, pois não vejo que nós espíritas estejamos tão conscientes assim de nossa responsabilidade diante do conhecimento espírita que possuímos. Se a tivéssemos cumpriríamos integralmente essa assertiva do Espírito de Verdade: “Espíritas amai-vos, esse o primeiro mandamento…” 

FR: Agradecemos ao amigo Paulo Neto, por sua gentileza para com o Francisco Rebouças Espiritista, nos colocamos à disposição para a divulgação de matérias de sua autoria que o amigo desejar, e rogamos a Deus que o conserve com saúde e paz, para que você continue com lucidez e determinação, seu trabalho de divulgação da mensagem espírita, fundamentado na fidelidade aos postulados da codificação do espiritismo.

Site do Paulo Neto: www.paulosnetos.net - contato@paulosnetos.net

Francisco Rebouças

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Precisamos modificar nossa visão da Vida

A cada momento que vivenciamos alguma experiência significativa para nosso aperfeiçoamento moral na vida presente, nos defrontamos com nossas realidades mais íntimas, que nos trazem à tona as incertezas e temores a denunciarem que quase sempre vivemos de aparências, e nos convidam a longas e sinceras reflexões, pois, toda e qualquer atitude mental nossa produz um condicionamento que hoje ou depois se revela, deixando transparecer a realidade do nosso estado de espírito.
Registramos dessa forma, a história dos nossos dias através do comportamento físico, mental ou moral que nos permitimos eleger em todas as circunstâncias da vida. Quase sempre essas escolhas nos trazem surpreendentes lições desagradáveis, alertando-nos para a necessidade de caminhar por estradas mais compatíveis com a colheita que desejamos realizar no futuro.
Cabe-nos desse modo, não desconsideremos as responsabilidades que assumimos em todas as situações de contatos nas relações pessoais para nos mantermos em paz perante a consciência, no sentido de colaborar da melhor forma possível para a conquista da felicidade que almejamos, evitando deslizes, por mais satisfatórias nos pareçam às ocasiões de compactuar, promover ou nos tornar instrumento de equívocos e erros.
Colheremos amanhã o fruto de nossa plantação presente pelas rotas que nós mesmos abrimos; o dissabor de agora, reflete o ontem, e o amanhã será sempre resultado do hoje, assim sendo, pensar, falar, agir com retidão são normas de segurança, refletindo equilíbrio e amadurecimento espiritual.
Os amigos Espirituais nos ministram seus conhecimentos solidificados pelas experiências que já adquiriram com o salutar objetivo, não só de nos advertir, mas também, de elucidar nossas dúvidas, contribuindo cristãmente com suas mensagens e seus exemplos de tudo que vivenciaram quando de suas passagens pelo nosso planeta ou por outros tantos existentes, para a fertilização nos corações de seus irmãos em humanidade a semente de construção da Era Nova do Espírito Imortal.
O Evangelho Segundo o Espiritismo é um manancial de bênçãos a nos guiar pelas estradas seguras da moral exemplificada por Jesus, nosso modelo e guia, conforme segue.
  • “A lei de amor
O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra -amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.
Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. E então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes. – Lázaro. (Paris, 1862.)”
São experiências que se transformam em lições de nobres e edificantes conceitos de vida, que retratam sabedoria, promovem e libertam o homem de seus atavismos, sempre inspiradas nas lições e exemplos da vida daquele que nos afirmou ser o Caminho a Verdade e a Vida.
Resta-nos ter a conveniente sabedoria e disposição para meditarmos nessas lições simples e sábias, em conceitos formosos à luz do Espiritismo, e aprendermos com Jesus a fixar no recesso da alma as lições vivas e atuantes do bem sem limite e do amor incessante e incondicional, a benefício da nossa própria iluminação a caminho da angelitude.
Francisco Rebouças
Bibliografia:1- Kardec, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XI, Amar o Próximo como a si Mesmo, item 8.
Francisco Rebouças

domingo, 5 de julho de 2015

DESAPEGA-TE DOS BENS TERRENOS!

Francisco RebouçasImprescindível se faz entender, que os bens materiais a que tantos sacrifícios e desgastes nos submetemos para adquiri-los, pertencem essencialmente a Deus que nos empresta, por infinita misericórdia, para que aprendamos a utiliza-los na construção dos verdadeiros valores da evolução moral espiritual.

Os bens terrestres têm por finalidade específica assegurar a harmonia e felicidade de todos, no engrandecimento da vida em nosso planeta. Assim sendo, quando nos apropriamos indebitamente do supérfluo, abraçando as sugestões do abuso e da violência, geramos desequilíbrio e sofrimento em nosso semelhante, e nos candidatamos automaticamente ao jugo asfixiante da provação.

No Evangelho Segundo o Espiritismo encontramos significante mensagem a esse respeito, como segue.

“... O amor aos bens terrenos constitui um dos mais fortes óbices ao vosso adiantamento moral e espiritual. Pelo apego à posse de tais bens, destruís as vossas faculdades de amar, com as aplicardes todas às coisas materiais. Sede sinceros: proporciona a riqueza uma felicidade sem mescla? Quando tendes cheios os cofres, não há sempre um vazio no vosso coração? No fundo dessa cesta de flores não há sempre oculto um réptil?... ¹

Imprescindível se faz, aprendamos o quanto antes a dar do que temos e retemos, para que nos tornemos dignos instrumentos da Lei do Progresso em apoio e respeito às bênçãos de Deus a todos os seres da criação.

Quando nos reportamos ao bem que as riquezas poderiam gerar, não nos referimos apenas aos que as riquezas amoedadas realizariam, amenizando a necessidade mais urgente do próximo, mas também a sovinice das virtudes que geram os tormentos da penúria moral, tanto quanto a avareza da inteligência que cria e alimenta os monstros da ignorância.

“Qual, então, o melhor emprego que se pode dar à riqueza? Procurai - nestas palavras:

"Amai-vos uns aos outros", a solução do problema. Elas guardam o segredo do bom emprego das riquezas. Aquele que se acha animado do amor do próximo tem aí toda traçada a sua linha de proceder. Na caridade está, para as riquezas, o emprego que mais apraz a Deus.” ²

Por essa razão, é importante que começamos hoje, continuemos amanhã e sempre, honrando as oportunidades que a vida nos concede para distribuir sabiamente os bens materiais, morais e espirituais de que somos portadores, porque somente trabalhando e aprendendo, servindo e auxiliando sem descansar, é que encontraremos o luminoso caminho de acesso à paz de espírito que é a harmonia e o bem estar proporcionados pela soberana, perfeita e imutável Lei do AMOR.

“O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo.
Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste”.³

Que Jesus nos guie e ampare hoje e sempre, para que jamais nos esqueçamos dessa incontestável realidade.

Bibliografia
1- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, item 14.
2- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, item 11.
3- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, item 9.

Francisco Rebouças

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ASSUNTO DE PAZ

Quer você saber agora
Meu caro Zico Tomás,
Que posso dizer no além,
Quanto ao assunto da paz.

Quantas vezes, meu amigo,
Supúnhamos nós na terra,
Que paz morasse na rede
Da casa branca da serra!

O quintal todo enfeitado
De rosas e margaridas,
O céu azul... As cigarras
Musicando nossas vidas.

O mundo ao longe... Os cavalos
Com montaria a nós dois,
A viola, o cigarrinho
E a mesa farta depois...

As histórias sobre a chuva
O aroma do chão molhado,
A conversinha de sempre,
E os cães dormindo ao lado!...

Relendo as suas palavras,
Tudo me volta à lembrança,,,
Quanta beleza de sonho,
Quanto sonho de criança!...

Sem dúvida, tudo isso,
É paz de preparação,
Memórias e ensinamentos
De apoio à meditação!

A paz que nunca se afasta,
Domínio jamais desfeito,
É aquela que se constrói,
Por dentro do próprio peito.

Hoje anoto esta verdade
Que vejo claro agora!
Segurança verdadeira
Não se conquista por fora!...

Buscando a paz muita gente
Estraga-se, desvaria...
E acaba sempre em mais luta
Nas lutas de cada dia.

Há quem rogue paz em ouro,
Influência em reboliço,
Sem entender que esses dons
São forças para serviço.

Muitos volvem morro abaixo,
Após a ilusão nos cimos,
Nesses enganos de paz
Quantos fracassos já vimos!

Rogando apenas repouso,
Conhecemos Dona Cissa,
Somente achou moleza
De quem morre na preguiça.

Largou-se de todo encargo
Nhô Tolentino do Avanço,
Pedia paz e mais paz
Depois morreu de descanso.

Neco buscando sossego
Foi residir no Espigão,
Logo após voltou do sítio,
Picado de escorpião.

Saiu da cidade grande
Nhô Marcelino Siqueira,
Buscava a calma num morro,
Caiu de uma ribanceira.

Queria viver tranquilo,
Nhô Benedito Moraes,
Adoeceu de repente
Porque comia demais.

Fugiu do trabalho e luta
Nosso Antonico da Praça,
Descansou... Ficou mais triste,
Depois tombou na cachaça.

Era feliz trabalhando
Nosso amigo Hilarião
Abandonando as tarefas,
Perdeu-se na obsessão.

Queixando-se de fadiga
Aposentou-se Nhô Bento,
Entretanto morreu logo
Por falta de movimento.

Nhá Cota entrando em sossego,
Regrava a própria comida,
Em seguida enlouqueceu
De tanto pensar na vida.

Zizina querendo paz
Foi para a Roça da Lebre,
Mas escondida num rancho
Morreu tomada de febre.

Trabalhe quanto puder,
Não largue a enxada do bem,
Serviço ajudando aos outros
Nunca feriu ninguém.

Não caia nesses enganos,
Desses casos que já vi,
Que descanso sem razão
Onde esteja é isso aí.

Livro: Conversa Firme
Chico Xavier/Cornélio Pires

Francisco Rebouças

terça-feira, 9 de junho de 2015

A candeia viva


“Ninguém acende a candeia e a coloca debaixo do médio, mas no velador, e assim alumia a todos os que estão na casa.” – Jesus. (Mateus, 5:15.)

Muitos aprendizes interpretaram semelhantes palavras do Mestre como apelo à pregação  sistemática e desvairaram-se através de veementes discursos em toda parte. Outros admitiram que o Senhor lhes impunha a obrigação de violentar  os vizinhos, através de propaganda compulsória da crença, segundo o ponto de vista que lhes é particular.

Em verdade o sermão edificante e o auxílio fraterno são indispensáveis na extensão dos benefícios divinos da fé.

Sem a palavra, é quase impossível a distribuição do conhecimento. Sem o amparo irmão, a fraternidade não se concretizará no mundo. A assertiva de Jesus, todavia, atinge mais além.

Atentemos para o símbolo da candeia. A claridade na lâmpada consome força ou combustível.

Sem o sacrifício da energia ou do óleo não há luz.

Para nós, aqui, o material de manutenção é a possibilidade, o recurso, a vida.

Nossa existência é a candeia viva.

É um erro lamentável despender nossas forças, sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, de nossa vaidade ou de nossa limitação pessoal.

Coloquemos nossas possibilidades ao dispor dos semelhantes.

Ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si. Cada espírito  provisoriamente  encarnado,  no círculo humano, goza de imensas prerrogativas, quanto à difusão do bem, se persevera na observância do Amor Universal.

Prega, pois, as revelações do Alto, fazendo-as mais formosas e brilhantes em teus lábios; insta com parentes e amigos para que aceitem as verdades imperecíveis; mas, não olvides que a candeia  viva  da  iluminação  espiritual  é  a  perfeita  imagem  de  ti mesmo.

Transforma as tuas energias em bondade e compreensão redentoras para toda gente, gastando, para isso, o óleo de tua boa vontade, na renúncia e no sacrifício, e a tua vida, em Cristo, passará realmente a brilhar.
Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A MÚSICA

Sublime melodia é a que trás
Paz e suavidade ao ambiente,
É benção de inspiração do compositor
Espalhando pétalas de luz pelo pensamento.

Em todas as paragens do universo
Toda melodia alvissareira,
Envolvendo a vida em alegria
Lembra o ramo da videira.

Que Deus te inspire compositor amigo
Na composição de tua nobre melodia,
Trazendo ao nosso coração,
O prazer de ouvir tua canção com alegria.

A doce melodia asserena nossa mente,
Nos eleva o pensamento e faz sonhar,
Esquecendo por instantes a dor, os sofrimentos,
Acalmando nossa alma, purificando nosso ar.

Seja de dia ou de noite
É sempre bom uma canção escutar,
A bela melodia é remédio
Que em tudo nos ajuda a melhorar.

Tento pensar na beleza que por certo será
A melodia no mundo mais adiantado,
De melodia e rimas encantadoras,
Fruto de um trabalho bem mais elaborado.

Se Deus quiser, também teremos
Um dia a felicidade de ouvir,
Canções que exalam o perfume do amor
Proporcionando-nos a felicidade em curtir.

Quem dera fosse eu capaz também
De ter inspiração para compor,
Melodias que proporcionasse calma e paz,
Sabedoria, otimismo e esplendor.

Francisco Rebouças

domingo, 5 de abril de 2015

A HISTÓRIA


O que hoje conhecemos


Foram fatos em outras épocas,
O que hoje realizamos,
Nos trarão inverno ou primavera.

 
 
A história da humanidade
Registra muitas realizações,
Umas boas outras más
Causando paz ou confusão.
 
O ser humano do passado
Pouco mudou até agora,
Continua egoísta
Criando Guerra mundo a fora.
 
Precisamos reescrever
Nossa história pr'o futuro
Desenvolver nossos talentos,
Não ficar em cima do muro.
 
O distinto cidadão
Não se deixa envolver,
Nos problemas corriqueiros
Mal entendidos, busca desfazer.
 
Com vontade e trabalho
Outra história se fará,
Quem lutar em prol do bem,
Com certeza vencerá.
 
Deus está ao nosso lado
Fazendo bem a sua parte,
Concedendo a todos nós
Participar de sua obra de arte.
 
Peçamos humildemente ao pai
Que nos ajude a discernir,
Pr'a fazer o que for preciso
Para o mal deixar de existir.
Francisco Rebouças

sábado, 7 de fevereiro de 2015

PALAVRAS DA VIDA ETERNA

 "Tu tens as palavras da vida eterna." - Simão Pedro. (JOÃO. 6:68.)

Rodeiam-te as palavras, em todas as fases da luta  e em todos os ângulos do caminho.

Frases respeitáveis que se referem aos teus deveres.

Verbo amigo trazido por dedicações que te reanimam e consolam.

Opiniões acerca de assuntos que te não dizem respeito.

Sugestões de variadas origens.

Preleções valiosas.

Discursos vazios que os teus ouvidos lançam ao vento.

Palavras faladas... palavras escritas...

Dentre as expressões verbalistas articuladas ou silenciosas, junto das quais a tua mente se desenvolve, encontrarás, porém, as palavras da vida eterna.

Guarda teu coração à escuta.

Nascem do amor insondável do Cristo, como a água pura do seio imenso da Terra.

Muitas vezes te manténs despercebido e não lhes assinalas o aviso, o cântico, a lição e a beleza.

Vigia no mundo, isolado de ti mesmo, para que lhes não percas o sabor e a claridade.

Exortam-te a considerar a grandeza de Deus e a viver de conformidade com as Suas Leis.

Referem-se ao Planeta como sendo nosso lar e à Humanidade como
sendo a nossa família.

Revelam no amor o laço que nos une a todos.

Indicam no trabalho o nosso roteiro de evolução e aperfeiçoamento.

Descerram os horizontes divinos da vida e ensinam-nos a levantar os olhos para o mais alto e para o mais além.

"Palavras, palavras, palavras..."

Esquece aquelas que te incitam à inutilidade, aproveita quantas te mostram as obrigações justas e te ensinam a engrandecer a existência, mas não olvides as frases que te acordam para a luz e para o bem; elas podem penetrar o nosso coração, através de um amigo, de uma carta, de uma página ou de um livro, mas, no fundo, procedem sempre de Jesus, o Divino Amigo das Criaturas.

Retém contigo as palavras da vida eterna, porque são as santificadoras do espírito, na experiência de cada dia, e, sobretudo, o nosso seguro apoio mental nas horas difíceis das grandes renovações.

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

83º aniversário da Sociedade Espírita Jesus Escola

Queridos Amigos, 
Paz aos nossos corações!!
Venha participar conosco da palestra comemorativa do 83º aniversário da Sociedade Espírita Jesus Escola, em Cantagalo, a ser realizada no dia 20 de janeiro, conforme cartaz em anexo. 
Sua presença muito alegrará os nossos corações!!!
Esperamos por você e pedimos que nos auxilie na tarefa da divulgação.
 GRANDE e fraterno abraço,
Leila M. Wermelinger
(22) 99962-4962 / (22) 98157-9561
 
Francisco Rebouças

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

POR UM POUCO

  “Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pe­cado.” — Paulo. (HEBREUS, capítulo 11, versículo 25.)

Nesta passagem refere-se Paulo à atitude de Moisés, abstendo-se de gozar por um pouco de tem­po das suntuosidades da casa do Faraó, a fim de consagrar-se à libertação dos companheiros cativos, criando imagem sublime para definir a posição do espírito encarnado na Terra.


“Por um pouco”, o administrador dirige os inte­resses do povo.


“Por um pouco, o servidor obedece na subal­ternidade.


“Por um pouco”, o usurário retém o dinheiro.


“Por um pouco”, o infeliz padece privações.


Ah! se o homem reparasse a brevidade dos dias de que dispõe na Terra! se visse a exiguidade dos recursos com que pode contar no vaso de carne em que se movimenta!...


Certamente, semelhante percepção, diante da eternidade, dar-lhe-ia novo conceito da bendita opor­tunidade, preciosa e rápida, que lhe foi concedida no mundo.


Tudo favorece ou aflige a criatura terrestre, sim­plesmente por um pouco de tempo.


Muita gente, contudo, vale-se dessa pequenina fração de horas para complicar-se por muitos anos.


É indispensável fixar o cérebro e o coração no exemplo de quantos souberam glorificar a romagem apressada no caminho comum.


Moisés não se deteve a gozar, “por um pouco”, no clima faraônico, a fim de deixar-nos a legislação justiceira.


Jesus não se abalançou a disputar, nem mesmo “por um pouco”, em face da crueldade de quantos o perseguiam, de modo a ensinar-nos o segredo divi­no da Cruz com Ressurreição Eterna.


Paulo não se animou a descansar “por um pou­co”, depois de encontrar o Mestre às portas de Damasco, de maneira a legar-nos seu exemplo de trabalho e fé viva.


Meu amigo, onde estiveres, lembra-te de que aí permaneces “por um pouco” de tempo. Modera-te na alegria e conforma-te na tristeza, trabalhando sem cessar, na extensão do bem, porque é na demons­tração do “pouco” que caminharás para o “muito” de felicidade ou de sofrimento. 


Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel 

Francisco Rebouças

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ACONSELHAR

“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o.” - Paulo – Tito: - 3-10. 

O ato de aconselhar tem a sua época própria, à maneira de todas as cousas.

Muitos aprendizes costumam esquecer que se encontram no mundo em serviço de retificação do pretérito e de auto iluminação, estacionando em falsos caminhos.

Insistentemente consultados, não percebem a trama sutil que lhes detém os passos e, quando não regressam à vigilância, vão olvidando inconscientemente a si mesmos.

A preguiça sempre se orgulhou de encontrar uma advogada na complacência fácil.

E conferindo-lhe posição de superioridade, nela se apoia para a dilatação de todos os erros.

A primeira deseja uma companhia para os maus caminhos; a segunda aprova, em vista da falsa situação de destaque em que foi colocada.

Daí o veneno sutil da ociosidade que sempre busca os conselhos de sua mentora, para fazer, em seguida, às ocultas, que bem entende, voltando sempre a se aconselhar novamente.

Reportando-nos ao ensinamento de Paulo, não queremos fizer que a rebeldia ou a ignorância devam ser sumariamente condenadas, quando a própria heresia, tem, por vezes, a sua tarefa.

Elas merecem uma ou outra admoestação, devem ser credoras de nossa atividade fraternal, mas passado o tempo em que nosso concurso era suscetível de lhes restaurar as estradas, não será justo dar-lhes força para a irreflexão.

Temos, igualmente, o nosso roteiro e as nossas experiências.

Estacionar com elas na falsa atitude de conselheiros seria desempenhar o papel da complacência frente à ociosidade criminosa. 

Livro: Levantar e Seguir
Chico Xavier/Emmanuel 

Francisco Rebouças

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Pelas Obras

"E que os tenhais em grande estima e amor por causa da sua obra". - Paulo. (I TESSALONICENSES, 5:13).
Esta passagem de Paulo, na Primeira Epístola aos Tessalonicenses, é singularmente expressiva para a nossa luta cotidiana.
Todos experimentamos a tendência de consagrar a maior estima apenas àqueles que leiam a vida pela cartilha dos nossos pontos de vista. Nosso devotamento é sempre caloroso para quantos nos esposem os modos de ver, os hábitos enraizados e os princípios sociais; todavia, nem sempre nossas interpretações são as melhores, nossos costumes os mais nobres e nossas diretrizes as mais elogiáveis.
Daí procede o impositivo de desintegração da concha do nosso egoísmo para dedicarmos nossa amizade e respeito aos companheiros, não pela servidão afetiva com que se liguem ao nosso roteiro pessoal, mas pela fidelidade com que se norteiam em favor do bem comum.
Se amamos alguém tão-só pela beleza física, é provável encontremos amanhã o objeto de nossa afeição a caminho do monturo.
Se estimamos em algum amigo apenas a oratória brilhante, é possível esteja ele em aflitiva mudez, dentro em breve.
Se nos consagramos a determinada criatura só porque nos obedeça cegamente, é provável estejamos provocando a queda de outros nos mesmos erros em que temos incidido tantas vezes.
É imprescindível aperfeiçoar nosso modo de ver e de sentir, a fim de avançarmos no rumo da vida Superior.
Busquemos as criaturas, acima de tudo, pelas obras com que beneficiam o tempo e o espaço em que nos movimentamos, porque, um dia, compreenderemos que o melhor raramente é aquele que concorda conosco, mas é sempre aquele que concorda com o Senhor, colaborando com ele, na melhoria da vida, dentro e fora de nós.
 
Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ante o sublime

“Não faças tu comum o que Deus purificou.” – (Atos, 10:15.)

Existem expressões no Evangelho que, à maneira de flores a se salientarem num ramo divino, devem ser retiradas do conjunto para que nos deslumbremos ante o seu brilho e perfume peculiares.

A voz celeste, que se dirige a Simão Pedro, nos Atos, abrange horizontes muito mais vastos que o problema individual do apóstolo.

O homem comum está rodeado de glórias na Terra, entretanto, considera-se num campo de vulgaridades, incapaz de valorizar as riquezas que o cercam.

Cego diante do espetáculo soberbo da vida que lhe emoldura o desenvolvimento, tripudia sobre as preciosidades do mundo, sem meditar no paciente esforço dos séculos que a Sabedoria Infinita utilizou no aperfeiçoamento e na seleção dos valores que o rodeiam.

Quantos milênios terá exigido a formação da rocha?

Quantos ingredientes se harmonizam na elaboração de um simples raio de sol?

Quantos óbices foram vencidos para que a flor se materializasse?

Quanto esforço custou a domesticação das árvores e dos animais?

Quantos séculos terá empregado a Paciência do Céu na estruturação complexa da máquina orgânica em que o Espírito encarnado se manifesta?

A razão é luz gradativa, diante do sublime.

Não te esqueças, meu irmão, de que o Senhor te situou a experiência terrestre num verdadeiro paraíso, onde a semente minúscula retribui na média do infinito por um e onde águas e flores, solo e atmosfera te convidam a produzir, em favor da multiplicação dos Tesouros Eternos.

Cada dia, louva o Senhor que te agraciou com as oportunidades valiosas e com os dons divinos.

Pensa, estuda, trabalha e serve.

Não suponhas comum o que Deus purificou e engrandeceu.

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

domingo, 17 de agosto de 2014

Acredita em ti mesmo!

Acredita em ti mesmo!

Não deixes que sutilmente a ideia de fracasso tente te fazer desperdiçar os créditos de tempo depositado em tuas mãos. Não dispenses a certeza de que podes trabalhar e servir, auxiliar e melhorar, renovar e reconstruir, crescer e progredir sempre mais a cada dia.

Não penses que Deus te dispensa do bem que já te é possível realizar, em teu próprio benefício, do próximo e da vida.
 
Deus é a Soberana Luz do Universo, mas tu também podes acender uma vela e clarear o caminho equivocado trilhado por muita gente dentro da noite escura da ignorância e do sofrimento. 

Francisco Rebouças

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

ESTUDANDO O ESPIRITISMO - E.S.E.

Oração dominical      
 
Os Espíritos recomendaram que, encabeçando esta coletânea, puséssemos a Oração dominical, não somente como prece, mas também como símbolo. De todas as preces, é a que eles colocam em primeiro lugar, seja porque procede do próprio Jesus (S. Mateus, cap. VI, vv. 9 a 13), seja porque pode suprir a todas, conforme os pensamentos que se lhe conjuguem; é o mais perfeito modelo de concisão, verdadeira obra-prima de sublimidade na simplicidade. Com efeito, sob a mais singela forma, ela resume todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo. Encerra uma profissão de fé, um ato de adoração e de submissão; o pedido das coisas necessárias à vida e o princípio da caridade. Quem a diga, em intenção de alguém, pede para este o que pediria para si.

Contudo, em virtude mesmo da sua brevidade, o sentido profundo que encerram as poucas palavras de que ela se compõe escapa à maioria das pessoas. Daí vem o dizerem-na, geralmente, sem que os pensamentos se detenham sobre as aplicações de cada uma de suas partes. Dizem-na como uma fórmula cuja eficácia se ache condicionada ao número de vezes que seja repetida. Ora, quase sempre esse é um dos números cabalísticos: três, sete ou nove tomados à antiga crença supersticiosa na virtude dos números e de uso nas operações da magia.

Para preencher o que de vago a concisão desta prece deixa na mente, a cada uma de suas proposições aditamos, aconselhado pelos Espíritos e com a assistência deles, um comentário que lhes desenvolve o sentido e mostra as aplicações. Conforme, pois, as circunstâncias e o tempo de que disponha, poderá, aquele que ore, dizer a oração dominical, ou na sua forma simples, ou na desenvolvida.

PRECE. — I. Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome!Cremos em ti, Senhor, porque tudo revela o teu poder e a tua bondade. A harmonia do Universo dá testemunho de uma sabedoria, de uma prudência e de uma previdência que ultrapassam todas as faculdades humanas. Em todas as obras da Criação, desde o raminho de erva minúscula e o pequenino inseto, até os astros que se movem no espaço, o nome se acha inscrito de um ser soberanamente grande e sábio. Por toda a parte se nos depara a prova de paternal solicitude. Cego, portanto, é aquele que te não reconhece nas tuas obras, orgulhoso aquele que te não glorifica e ingrato aquele que te não rende graças.

II. Venha o teu reino!Senhor, deste aos homens leis plenas de sabedoria e que lhes dariam a felicidade, se eles as cumprissem. Com essas leis, fariam reinar entre si a paz e a justiça e mutuamente se auxiliariam, em vez de se maltratarem, como o fazem. O forte sustentaria o fraco, em vez de o esmagar. Evitados seriam os males, que se geram dos excessos e dos abusos. Todas as misérias deste mundo provêm da violação de tuas leis, porquanto nenhuma infração delas deixa de ocasionar fatais consequências.
Deste ao bruto o instinto, que lhe traça o limite do necessário, e ele maquinalmente se conforma; ao homem, no entanto, além desse instinto, deste a inteligência e a razão; também lhe deste a liberdade de cumprir ou infringir aquelas das tuas leis que pessoalmente lhe concernem, isto é, a liberdade de escolher entre o bem e o mal, a fim de que tenha o mérito e a responsabilidade das suas ações.
Ninguém pode pretextar ignorância das tuas leis, pois, com paternal previdência, quiseste que elas se gravassem na consciência de cada um, sem distinção de cultos, nem de nações. Se as violam, é porque as desprezam.
Dia virá em que, segundo a tua promessa, todos as praticarão. Desaparecido terá, então, a incredulidade. Todos te reconhecerão por soberano Senhor de todas as coisas, e o reinado das tuas leis será o teu reino na Terra.
Digna-te, Senhor, de apressar-lhe o advento, outorgando aos homens a luz necessária, que os conduza ao caminho da verdade.

III. Faça-se a tua vontade, assim na Terra como no Céu.Se a submissão é um dever do filho para com o pai, do inferior para com o seu superior, quão maior não deve ser a da criatura para com o seu Criador! Fazer a tua vontade, Senhor, é observar as tuas leis e submeter-se, sem queixumes, aos teus decretos. O homem a ela se submeterá, quando compreender que és a fonte de toda a sabedoria e que sem ti ele nada pode. Fará, então, a tua vontade na Terra, como os eleitos a fazem no Céu.

IV. Dá-nos o pão de cada dia.
Dá-nos o alimento indispensável à sustentação das forças do corpo; mas, dá-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito.
bruto encontra a sua pastagem; o homem, porém, deve o sustento à sua própria atividade e aos recursos da sua inteligência, porque o criaste livre.
Tu lhe hás dito: “Tirarás da terra o alimento com o suor da tua fronte.” Desse modo, fizeste do trabalho, para ele, uma obrigação, a fim de que exercitasse a inteligência na procura dos meios de prover às suas necessidades e ao seu bem-estar, uns mediante o labor manual, outros pelo labor intelectual.
Sem o trabalho, ele se conservaria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores.
Ajudas o homem de boa-vontade que em ti confia, pelo que concerne ao necessário; não, porém, àquele que se compraz na ociosidade e desejara tudo obter sem esforço, nem àquele que busca o supérfluo. (Cap. XXV.)

Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artífices do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que pecaram.
Mas, nem a esses mesmos abandonas, porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para ti. (Cap. V, nº 4.)

Antes de nos queixarmos da sorte, inquiramos de nós mesmos se ela não é obra nossa. A cada desgraça que nos chegue, cuidemos de saber se não teria estado em nossas mãos evitá-la. Consideremos também que Deus nos outorgou a inteligência para tirar-nos do lameiro, e que de nós depende o modo de a utilizarmos.

Pois que à lei do trabalho se acha submetido o homem na Terra, dá-nos coragem e forças para obedecer a essa lei. Dá-nos também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perdermos o respectivo fruto.

Dá-nos, pois, Senhor, o pão de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porquanto ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo.
Se trabalhar nos é impossível, à tua divina providência nos confiamos.
Se está nos teus desígnios experimentar-nos pelas mais duras provações, mau grado aos nossos esforços, aceitamo-las como justa expiação das faltas que tenhamos cometido nesta existência, ou noutra anterior, porquanto és justo. Sabemos que não há penas imerecidas e que jamais castigas sem causa.

Preserva-nos, ó meu Deus, de invejar os que possuem o que não temos, nem mesmo os que dispõem do supérfluo, ao passo que a nós nos falta o necessário. Perdoa-lhes, se esquecem a lei de caridade e de amor do próximo, que lhes ensinaste. (Cap. XVI, nº 8.)

Afasta, igualmente, do nosso espírito a ideia de negar a tua justiça, ao notarmos a prosperidade do mau e a desgraça que cai por vezes sobre o homem de bem. Já sabemos, graças às novas luzes que te aprouve conceder-nos, que a tua justiça se cumpre sempre e a ninguém excetua; que a prosperidade material do mau é efêmera, quanto a sua existência corpórea, e que experimentará terríveis reveses, ao passo que eterno será o júbilo daquele que sofre resignado. (Cap. V, nº 7, nº 9, nº 12 e nº 18.)

V. Perdoa as nossas dívidas, como perdoamos aos que nos devem. — Perdoa as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos ofenderam.
Cada uma das nossas infrações às tuas leis, Senhor, é uma ofensa que te fazemos e uma dívida que contraímos e que cedo ou tarde teremos de saldar. Rogamos-te que no-las perdoes pela tua infinita misericórdia, sob a promessa, que te fazemos, de empregarmos os maiores esforços para não contrair outras.

Tu nos impuseste por lei expressa a caridade; mas, a caridade não consiste apenas em assistirmos os nossos semelhantes em suas necessidades; também consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. Com que direito reclamaríamos a tua indulgência, se dela não usássemos para com aqueles que nos hão dado motivo de queixa?
Concede-nos, ó meu Deus, forças para apagar de nossa alma todo ressentimento, todo ódio e todo rancor. Faze que a morte não nos surpreenda guardando nós no coração desejos de vingança. Se te aprouver tirar-nos hoje mesmo deste mundo, faze que nos possamos apresentar, diante de ti, puros de toda animosidade, a exemplo do Cristo, cujos últimos pensamentos foram em prol dos seus algozes. (Cap. X.)

Constituem parte das nossas provas terrenas as perseguições que os maus nos infligem. Devemos, então, recebê-las sem nos queixarmos, como todas as outras provas, e não maldizer dos que, por suas maldades, nos rasgam o caminho da felicidade eterna, visto que nos disseste, por intermédio de Jesus: “Bem-aventurados os que sofrem pela justiça!” Bendigamos, portanto, a mão que nos fere e humilha, uma vez que as mortificações do corpo nos fortificam a alma e que seremos exalçados por efeito da nossa humildade. (Cap. XII, nº 4.) Bendito seja teu nome, Senhor, por nos teres ensinado que nossa sorte não está irrevogavelmente fixada depois da morte; que encontraremos, em outras existências, os meios de resgatar e de reparar nossas culpas passadas, de cumprir em nova vida o que não podemos fazer nesta, para nosso progresso. (Cap. IV, e cap. V, nº 5.)

Assim se explicam, afinal, todas as anomalias aparentes da vida. É a luz que se projeta sobre o nosso passado e o nosso futuro, sinal evidente da tua justiça soberana e da tua infinita bondade.

VI. Não nos deixes entregues à tentação, mas livra-nos do mal.
Dá-nos, Senhor, a força de resistir às sugestões dos Espíritos maus, que tentem desviar-nos da senda do bem, inspirando-nos maus pensamentos.
Mas, somos Espíritos imperfeitos, encarnados na Terra para expiar nossas faltas e melhorar-nos. Em nós mesmos está a causa primária do mal e os maus Espíritos mais não fazem do que aproveitar os nossos pendores viciosos, em que nos entretêm para nos tentarem.
Cada imperfeição é uma porta aberta à influência deles, ao passo que são impotentes e renunciam a toda tentativa contra os seres perfeitos. É inútil tudo o que possamos fazer para afastá-los, se não lhes opusermos decidida e inabalável vontade de permanecer no bem e absoluta renunciação ao mal. Contra nós mesmos, pois, é que precisamos dirigir os nossos esforços e, se o fizermos, os maus Espíritos naturalmente se afastarão, porquanto o mal é que os atrai, ao passo que o bem os repele.
Senhor, ampara-nos em nossa fraqueza; inspira-nos, pelos nossos anjos guardiães e pelos bons Espíritos, a vontade de nos corrigirmos de todas as imperfeições a fim de obstarmos aos Espíritos maus o acesso à nossa alma.
O mal não é obra tua, Senhor, porquanto o manancial de todo o bem nada de mau pode gerar. Somos nós mesmos que criamos o mal, infringindo as tuas leis e fazendo mau uso da liberdade que nos outorgaste. Quando os homens as cumprirmos, o mal desaparecerá da Terra, como já desapareceu de mundos mais adiantados que o nosso.
O mal não constitui para ninguém uma necessidade fatal e só parece irresistível aos que nele se comprazem. Desde que temos vontade para o fazer, também podemos ter a de praticar o bem, pelo que, ó meu Deus, pedimos a tua assistência e a dos Espíritos bons, a fim de resistirmos à tentação.

VII. Assim seja.

Praza-te, Senhor, que os nossos desejos se efetivem. Mas, curvamo-nos perante a tua sabedoria infinita. Que em todas as coisas que nos escapam à compreensão se faça a tua santa vontade e não a nossa, pois somente queres o nosso bem e melhor do que nós sabes o que nos convém.
Dirigimos-te esta prece, ó Deus, por nós mesmos e também por todas as almas sofredoras, encarnadas e desencarnadas, pelos nossos amigos e inimigos, por todos os que solicitem a nossa assistência e, em particular, por N...
Para todos suplicamos a tua misericórdia e a tua bênção.
 
Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo -  Cap. XXVIII, itens 2 e 3.
 
Francisco Rebouças